DR. MANUEL AUGUSTO DIAS DE AZEVEDO

UM ARTIGO CONTRA, OUTRO A FAVOR

Quando, no dia 30 de Junho, o director do JN publicou o seu artigo sobre o que viu em Balasar e o que o caso lhe sugeriu, o Dr. Dias de Azevedo desde 1947 não vinha à imprensa publicar nada sobre a sua doente. A última vez que o fizera tinha sido nesse ano quando respondeu ao mesmo jornal e ao mesmo director.

Sendo assim, o artigo do dia 30 parecia atingir principalmente o Diário do Norte, que recentemente se manifestara favorável ao que acontecia em Balasar.

Poderemos admitir à partida que o director do JN tenha actuado conscienciosamente: tinha noção do que se passava, foi observá-lo in loco e pronunciou-se. Mas as cosias não terão sido bem assim. 

Ele estava mal informado ou informou-se mal, mesmo sobre a Beata Alexandrina em particular: escreveu com base em informação errada (ela não era uma neuropata, por exemplo). E estava mal informado também sobre as visitas, em quem só viu superstição, o que poderia em parte ser verdade, mas em grande parte era mentira: elas sabiam ao que vinham, sabiam que ali tinham ocorrido muitos milagres, o que o jornalista não quis admitir.

Ele havia de saber que quem naquela altura principalmente respondia por tudo o que se passava, dada a ausência dos directores espirituais, era o médico. Pelo modo como depois falará dele, o primeiro objectivo que o movia terá sido mesmo humilhá-lo, vingar-se de ele o ter corrigido em 1947.

Onde o director do JN errou também foi no tom magistral, exaltado que adoptou ao insurgir-se contra as visitas: generalizou e pretendeu até impor o seu ponto de vista à autoridade eclesiástica.

Alguns dias antes, o Dr. Dias de Azevedo tinha enviado para o Diário do Norte um artigo em que defendia a Alexandrina dos ataques d’O Gaiato. Tem a data de 24 de Junho, mas saiu também no dia 30. Não era nem podia ser a resposta ao do Notícias, mas de facto desmontava algumas das suas afirmações. Curiosa coincidência.

A Beata Alexandrina em 1952, se não erro. Era por isso assim que a viam as visitas de 1953. Mas não corresponde bem aos retratos dos seus críticos.

O director do JN teve com certeza oportunidade de se esclarecer sobre a venda dos livros de que falava O Gaiato, mas ou não se esclareceu ou preferiu deixar no ar a dúvida, sempre conveniente para destruir um bom nome. Mas o Dr. Dias de Azevedo rebatia convincentemente a mentira.

Todo o artigo do médico foi escrito com a serenidade de quem conhece o tema que aborda, com a certeza científica que tem por seu lado, sem exaltação. Era este o caminho certo para calar os mal-intencionados.

José Ferreira

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