Dificilmente alguém acreditaria hoje no jejum e anúria da Beata
Alexandrina sem os cuidados que o Dr. Dias de Azevedo teve para lhes
dar uma confirmação científica. Os insensatos podem, levianamente,
recusar-se a acreditar, mas a prova existe, irrefutável. E as
pessoas sensatas agradecem-na.
Embora
o Dr. Gomes de Araújo fosse o responsável pela vigilância da Doente
durante os 40 dias que passou na Foz do Douro, nesse período ela foi
também acompanhada pelo Dr. Dias de Azevedo e pelo catedrático Dr.
Carlos Lima. Tinham pois os dois toda a legitimidade para se
pronunciarem sobre o que lá se passou e fizeram-no no atestado que
se segue:
Nós
abaixo assinados, Dr. Carlos Alberto de Lima, Professor jubilado da
Faculdade de Medicina do Porto, e Manuel Augusto Dias de Azevedo,
doutor em Medicina pela dita Faculdade, atestamos que, tendo
examinado Alexandrina Maria da Costa, de 38 anos de idade, natural e
residente na freguesia de Balasar, do concelho da Póvoa de Varzim,
verificámos que era portadora de uma afecção ou compressão medular,
causa da sua paraplegia.
Atestamos também que, estando internada, desde o dia 10 de Junho até
ao dia 20 de Julho corrente, no Refúgio da Paralisia Infantil, da
Foz do Douro, sob a direcção do Dr. Gomes de Araújo e sob a
vigilância feita, de dia e de noite, por pessoas conscienciosas e
desejosas de indagar a verdade, foi constatado que a sua abstinência
de sólidos e líquidos foi absoluta, durante seu internamento,
conservando-se o seu peso, temperatura, respirações, tensões, pulso,
sangue e faculdades mentais sensivelmente normais, constantes e
lúcidas e não havendo, durante esses quarenta dias, nenhuma
evacuação de fezes nem a mínima excreção de urina.
O
exame de sangue, colhido três semanas após o internamento
supramencionado, vai junto a este atestado e por ele se vê que,
considerada a dita abstinência de sólidos e líquidos, a Ciência não
pode explicar naturalmente o que nesse exame se registou, assim como,
atentas as verdades da Fisiologia e Bioquímica, não pode ser
explicada a sobrevivência desta doente, por motivo dessa abstinência
absoluta, durante os quarenta dias de internamento, devendo-se
salientar que a doente, durante esse tempo, respondeu diariamente a
muitas perguntas e sustentou inúmeras conversas, manifestando a
melhor disposição e melhor lucidez de espírito.
Enquanto aos fenómenos observados às sextas-feiras, pouco mais ou
menos, pelas 17 horas oficiais, entendemos que pertencem à Mística,
que se pronunciará sobre os ditos fenómenos.
Por
ser verdade, mandámos passar este atestado que assinamos.
Porto, 26 de Julho de 1943.
Carlos Alberto de Lima
Manuel Augusto Dias de Azevedo
Trata-se
dum documento muito claro e merecedor de fé sobre o que a Ciência
tinha a dizer quanto ao caso e sobre as fronteiras aquém das quais
devia ficar.
Para o
Dr. Dias de Azevedo, devia ser precioso, particularmente nos
momentos de luta que o esperavam quando iria ter de fazer frente ao
Arcebispo, ao Director do JN, ao Dr. Joaquim Pacheco Neves,
que à uma negavam nela a actuação do Sobrenatural – e só ele podia
explicar o que a Ciência não era capaz de fazer. |