No
Ala Arriba de 28 de Janeiro de 1956, o Pe. Leopoldino noticiou
uma homenagem que Balasar acabava de prestar à Beata Alexandrina e
que consistira em descerrar um retrato seu no salão paroquial. Ao
acto acorreu muita gente, nomeadamente o Comendador Alberto Pimenta
Machado e família, de Guimarães, o arquitecto Gaspar de Sousa
Coutinho e família, de Barcelos, António Gonçalves Cerejeira, irmão
do Cardeal Patriarca, e família e naturalmente as autoridades e
associações balasarenses em peso. Também não faltou o Dr. Dias de
Azevedo. Coube à sua filha Alexandrina Maria da Costa Azevedo,
afilhada da homenageada, descerrar o retrato. Foram na altura
proferidos vários discursos, entre eles o do Dr. Dias de Azevedo,
que o Pe. Leopoldino publicou em 7 de Abril.
Foi por essa altura que saiu
Uma Vítima da Eucaristia, do Pe. Mariano Pinho.
***
Neste
acto de gratidão e homenagem àquela que com carinho chamávamos a
Doentinha de Balasar, sinto o dever de dizer algumas palavras de
saudade, de parabéns e de agradecimento.
Palavras de saudade,
porque a verdade é que, com o decorrer do tempo, parece ir-se
avivando, cada vez mais, a tristeza pela falta da nossa querida
Alexandrina, pois já não ouvimos a sua voz angélica a aconselhar-nos
nas nossas dúvidas, a animar-nos no cumprimento do dever, amando
mais e mais a Deus e ao próximo, numa palavra, a termos uma vida
mais digna e cristã. E esta saudade de Alexandrina só nos pode ser
suavizada por sabermos que os sofrimentos de vítima de nossos
pecados e de pecados do mundo, nos últimos tempos, já não podiam ser
maiores e hoje gozará, por prémio das suas virtudes heróicas, a
maior felicidade, aquilo que S. Paulo, num êxtase sublime e inegável,
viu e depois definiu como sendo “o que os olhos humanos nunca viram,
os ouvidos nunca ouviram, nem o coração do homem imagina o que Deus
tem preparado para aqueles que o amam”.
Palavras de parabéns.
Sim, mereceis esses parabéns pelos vossos sentimentos e actos, desde
o falecimento da Alexandrina e pelo descerramento do retrato daquela
que tanto alindou a vossa igreja. Logo após o falecimento dela, vós
mostrastes a vossa dor e a vossa esperança.
Dor pela falta dessa figura extraordinária, a maior glória de
Balasar, em todos os tempos, glória que o futuro dirá ser de
Portugal e do mundo inteiro.
Vós não sabeis, nós não sabemos, o que Deus criou e acumulou de
graças no lugar do Calvário desta freguesia, mas, depois de volvido
algum tempo (sem eu querer antecipar qualquer decisão definitiva da
Igreja), dir-se-á que foi uma alma mística extraordinária, uma
vítima propiciatória, daquelas a quem se referia Jesus falando a uma
religiosa nos seguintes termos:
“O Pai celeste olha-as com especial agrado. São o encanto dos Anjos
e dos homens. São muito poucas. Destinam-se a servir de defesa
diante da justiça do Pai Celeste e a obter misericórdia para o mundo”.
Mostrastes, senhoras e senhores, a vossa esperança, porque se o
funeral da Alexandrina foi uma autêntica glorificação da sua vida
heróica e santa, quereríeis significar com isso que tínheis a
certeza da sua valiosa intercessão por vós lá no Céu.
Sim, aquele sorriso angélico da Alexandrina nos está dizendo que
contemos com ela e que não desanimemos nas tribulações da nossa
vida. Já dizia o nosso maior poeta que o “caminho da virtude” era
“alto e fragoso, / mas, no fim, doce alegre e deleitoso”. Para o Céu
só há um caminho, o do dever, o do arrependimento, o das tribulações
e cruzes, e a vida e o sorriso de Alexandrina nos estimulam a segui-lo
e a abraçá-lo.
Estejamos certos desta intercessão a nosso favor, perante Deus, a
quem tanto adorava, e perante a Virgem Imaculada, a quem tão
ardentemente amava.
Palavras de agradecimento
para vós e para o vosso pároco. O Sr. Abade, durante a vida da
Alexandrina, foi incansável em dar-lhe diariamente o que ela
desejava, o seu querido Jesus (seu único alimento durante treze anos
e meio) e, desde o seu falecimento, tem sido incansável em
manifestar, por belos artigos na Imprensa e por conversas, as
virtudes dessa alma heróica e angelical, que foi a nossa querida e
abençoada Doentinha. Deus lhe dê muitos anos de saúde e vida para
continuar a dar-nos luz, a fim de que se saiba onde está a verdade e
onde está a mentira, para continuar a fazer justiça, porque é um
acto de justiça dizer ao mundo quem foi a Alexandrina.
E vós todos, que dum ou doutro modo respeitais e acarinhais a
memória da Alexandrina, ficai certos de que ela no Céu não vos
esquecerá e, grata como sempre foi, nada vos ficará a dever. Pedi
nas vossas dores e alegrias a sua intercessão e, do bom resultado
dela, por dever e gratidão, continuai a dar conta ao senhor abade, a
quem a autoridade eclesiástica confiou o registo das graças
recebidas.
O Pe. Humberto alude ao episódio do descerramento do retrato no
final do seu livro
Alexandrina; é na página 366 da 6.ª edição. Vale a pena ler o que
escreveu:
A seis meses da sua morte, durante uma solene manifestação, a figura
de Alexandrina sorri a todos no grande quadro que foi inaugurado no
salão paroquial de Balasar, como um sinal de estima e gratidão por
quanto ela havia feito em vida pela terra natal.
Nota sobre a
fotografia:
O retrato da
Beata Alexandrina descerrado no salão paroquial era certamente cópia
desta sua fotografia. |