DR. MANUEL AUGUSTO DIAS DE AZEVEDO

O DIA DE SÃO PEDRO DE 1953 EM BALASAR

Chegaram até nós vários testemunhos contemporâneos sobre o volume das visitas à Beata Alexandrina na primeira metade de 1953 e sobretudo no mês de Junho.

O dia de maior afluxo aconteceu em 29 deste mês, segunda-feira, dia de S. Pedro. Segundo a Deolinda, ela recebeu então 15.000 visitas, mas com certeza não chegaram até ela muitas, muitas outras por não terem vez.

O director do JN, que nesse dia também veio a Balasar, escreveu no artigo do dia seguinte, intitulado “A Doentinha de Balasar”, que “há meses que uma grande parte da população portuguesa e espanhola corre para Balasar”. Deve contudo haver exagero nesta afirmação, sobretudo quanto à população espanhola; nenhum outro autor se lhe refere em termos semelhantes.

 Na estrada de acesso ao centro da freguesia, para quem vinha do lado das Fontainhas, houve engarrafamento e deve ter ficado bloqueada desde o Telo ou ainda antes com automóveis, autocarros de passageiros, carros de cavalo, bicicletas e muito, muito povo vindo a pé ou de comboio.

São do mesmo autor as frases seguintes:

“A princípio, a doente falava com as pessoas que a procuravam, e que na sua maioria pediam que intercedesse por elas – e pelos seus males. Depois, os visitantes cresceram, cresceram sempre. Tal facto determinou que as visitas se fizessem em grupos de 50 indivíduos.(…) Mas os curiosos, os que queriam ver a “Santinha”, aumentavam todos os dias, tornando-se por fim autêntica avalanche. Agora a doente já não fala: vê desfilar os visitantes, que entram por uma porta, passam à sala e ao quarto onde ela se encontra e saem por outra porta”.

Só ele é que faz esta distinção relativa à evolução do modo como as visitas eram recebidas, mas deve corresponder à verdade.

O director do JN, recorde-se, usando um tom doutoral, de quem descobriu o que ninguém mais tinha visto, manifestou no seu escrito violenta, demolidora oposição ao que então se passou.

Por seu lado, o Dr. Dias de Azevedo devia estar preocupado com a enormidade do fenómeno. Já desde há algum tempo, ele encarava a possibilidade de lhe pôr termo. Tê-lo-ão ajudado a tomar a grave decisão estas palavras do “insigne jesuíta senhor Doutor Oliveira Dias, apresentado num Congresso de Médicos Católicos”:

“Se o vidente ou a vidente ainda vive, não é prudente propalar nada do que pertence à intimidade da sua vida mística, das luzes que recebe, etc. Seria transformar a sua casa em lugar de romaria, onde só se buscaria a satisfação de curiosidades doentias”.

Suspendeu as visitas no dia 30 e, no dia 1 de Julho, o JN já noticiou que elas tinham acabado.

Este calendário de 1953 permite enquadrar com mais precisão
as notícias da vinda das visitas à Beata Alexandrina.

Ainda no mesmo, por feliz coincidência, saiu, no Diário do Norte, um artigo do Dr. Dias de Azevedo, datado de quase uma semana antes, dia 24. Se não era, porque não podia ser, uma resposta ao JN, desacreditava-o bastante. Por isso, pôde esperar algum tempo até rebater algumas afirmações do seu adversário.  

José Ferreira

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