Na carta que, em 12 de Outubro de 1954, o Dr. Dias de Azevedo
escreveu a Salazar teve o cuidado de começar por fornecer informação
sobre a Beata Alexandrina de modo a dar credibilidade às referências
que ao destinatário são feitas nos escritos então enviados. Veja-se
a missiva:
Ex.mo Senhor Presidente do Conselho
Sou médico há catorze anos duma doente da freguesia de Balasar
(Póvoa de Varzim), entrevada há 30 anos. Essa doente apresenta
vários fenómenos, que dizem ser místicos, desde 1934, e a sua
abstinência alimentar é absoluta, desde Março de 1942, bebendo
simplesmente, uma ou outra vez, umas colheres de água simples,
passando dias sem nada beber.
Essa inédia foi rigorosamente constatada, numa Casa de Saúde,
durante 40 dias, e os Médicos, que a registaram, chegaram à
conclusão de que a sobrevivência dessa doente não podia, hoje, ser
naturalmente explicada. Essa doente, não tendo chegado a fazer exame
de instrução primária, e sem leituras, foi obrigada pelo seu
confessor, desde há anos, a ditar, currente calamo*,
os sentimentos de alma dela, o que por obediência vem fazendo,
havendo vários volumes escritos.
Recebendo agora um caderno, em que se fala de Vossa Excelência, nas
páginas 6 e 10, parece-me ser meu dever confiá-lo ao Senhor
Presidente do Conselho, a fim de que, quando for possível, tenha a
bondade de ler essas duas páginas.
O meu nome é humilde e desconhecido, mas, por acaso, dele pode dar
informações o Sr. Dr. Josué Trocado
e o Sr. Cardeal Patriarca.
Deus guarde Vossa Excelência, para bem da Pátria Portuguesa.
Ribeirão, 12 de Outubro de 1954.
Manuel Augusto Dias de Azevedo.
P.S. Peço a V.Ex.cia me permita este post-scriptum. Onde escrevi,
anteriormente, páginas, escreveria melhor: folhas.
A carta passou primeiro pelas mãos de alguém tão próximo de Salazar
que parece que o trata por tu e nela anotou, numa escrita difícil de
ler, o que pode ser isto:
Com grande interesse as passagens. (?) aí: “Salazar, Salazar,
alerta!” Págs. 6 e 10 do caderno recebido (referências às 6.as
feiras 13.8 e 27.8, 1954).

Primeira
página da carta do Dr. Dias de Azevedo a Salazar.
A palavra não lida diria algo parecido com lerás.
As páginas 6 e 10 do caderno mencionado têm as comunicações de Jesus
a Salazar ouvidas nos dias 13 e 27 de Agosto. Nelas se lê o alerta e
o incitamento que seguem:
Faça-se muita oração, muita penitência, por muito tempo! Haja grande
vigilância à Nação.
Salazar, Salazar, alerta! Em toda a parte está veneno!
Haja vigilância nas Nações, por um lado, e, pelo outro, tentam as
labaredas incendiarem-se (13.8.54).
Mais uma vez eu aviso: vigilância, muita vigilância! Salazar,
Salazar, alerta!
O veneno é tanto a espalhar-se!... Dum lado e doutro surgem
traições.
Esta visão é celeste. Quem avisa é Jesus! (27.8.54).
Não há a resposta ao Dr. Dias de Azevedo.
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