DR. MANUEL AUGUSTO DIAS DE AZEVEDO

BRAGADELA
ALGUMAS PALAVRAS, ALGUMAS IMAGENS

 O Dr. Dias de Azevedo nasceu em Bragadela, como consta do seu assento de baptismo:

 

Aos vinte e dois dias do mês de Setembro do ano de mil oitocentos e noventa e quatro, nesta Igreja Paroquial de São Mamede de Ribeirão, Concelho de Vila Nova de Famalicão, Arquidiocese de Braga, o presbítero Manuel José de Azevedo, de Cabanas, de minha comissão, baptizou solenemente um indivíduo do sexo masculino, a quem deu o nome de Manuel, que nasceu nesta freguesia às cinco horas da manhã do dia vinte e um do supra dito mês e ano, filho legítimo de Alberto Augusto Dias de Azevedo, sapateiro, e Rosa Maria de Jesus Azevedo, ele natural de Lousado, do concelho e diocese supra, ela desta de Ribeirão, recebidos nela e moradores no lugar de Vergadela (sic), neto paterno de Ana Dias de Azevedo, solteira, e materno de Ricardo José de Azevedo e Ana Rosa. Foram padrinhos Ricardo José de Azevedo, avô materno, e Ana Dias de Azevedo, avó paterna, os quais sei serem os próprios.

E para constar lavrei em duplicado este assento, que, depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, que não assinaram por não saberem escrever, o assinei. Era ut supra.

O Cónego Abade Manuel Maria Teixeira.

 

Nesse lugar viveu, criou a sua grande família e terminou os seus dias.

O pároco não escreveu correctamente o nome de Bragadela. Com certeza imaginou-lhe uma etimologia a seu modo, mas errada. O substantivo bragadela parece indicar uma mancha na pelagem das ovelhas e é topónimo muito antigo na freguesia.

 

Placa toponímica em Bragadela com o nome do Dr. Dias de Azevedo.

 

Este lugar ribeirense tem uma topografia original por ser uma elevação ali nas margens do Ave. Deve ter sido habitado desde tempos muito remotos.

As Inquirições de D. Afnso III (1258) mencionam-no duas vezes para dizer que:

 

Nuno Peres de Barvosa defende Bragadela e Ferreiros, nos quais lugares há nove casais, sem outra razão que dizem que em Bragadela foi criada a filha de Fernando Martins, seu tio, e dizem que em Ferreiros tinham pousa o seu avô e pai.

 

Tinha havido um amádigo em Bragadela, para honrar o lugar, isto é, para impedir que os funcionários do Rei aí recolhessem impostos, que agora passavam a reverter para o tal Nuno Peres.

O lugar seria já bastante povoado.

Nas Inquirições de D. Dinis, aforma-se que Bragadela é de Santo Tirso e menciona-se um D. Fernando Peres (descendente com certeza de Nuno Peres), mas o lugar passou a ser devasso, quer dizer, perdeu o privilégio antigo de ser honrado.

 

Fragamento do original das Inquirições de D. Dinis. A partir da terceira palavra da primeira linha, deve ler-se: “Item, a freguesia de Rio Airão, o lugar que chamam Bragadela é de Santo Tirso e deram-na em prestimónio a D. Fernando Peres (...)”

 

Nas memórias paroquiais de 1758, Bragadela ocorre em segundo lugar na lista das aldeias da freguesia.

Por meados do século passado, era muito comum organizarem-se cortejos para angariar fundos para vários fins. Num deles, o carro de Bragadela ostentava esta quadra:

 

O rancho da nossa aldeia
Mete cobiça a quem passa.
Nós somos de Bragadela
E não negamos a raça.

 

Há-de ter havido quadras mais inspiradas, mas a seguinte afina pela mesma qualidade da anterior:

 

Qual é aldeia, qual é ela?
Outras melhores eu não vejo.
É sempre a de Bragadela
Quem engrandece o cortejo.

 

 

Demolida casa que foi do Dr. Dias de Azevedo em Bragadela.

Nesta fotografia da antiga ponte pênsil sobre o Ave, de 1929, vê-se ao longe uma casa de Bragadela.

 

O Pe. Joaquim Dias dos Santos (1887-1945), pároco de Ribeirão, era natural de Bragadela.

José Ferreira

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